A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)

De acordo com a Global Initiative for Chronic Obstrutive Lung Disease (GOLD), a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma doença prevenível e tratável, com efeitos extrapulmonares significativos que podem contribuir para a gravidade da doença. Esta patologia, cuja evolução é indolor, tem como principal factor de risco o fumo do tabaco e encontra-se frequentemente subdiagnosticada.

Cada doente merece uma abordagem terapêutica particular, sendo a reabilitação funcional respiratória importante em muitos casos. O tratamento com medicamentos deverá ser mantido quando existe indicação para tal, podendo a sua interrupção traduzir-se no agravamento da doença e no aparecimento de complicações.

Sintomas Inespecíficos e Progressivos
O doente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica típico é um adulto com idade superior a 40 anos que apresenta factores de risco (como história de tabagismo ou exposição a poeiras) e sintomas de tosse produtiva e dispneia de esforço (falta de ar). O diagnóstico é confirmado por estudos funcionais respiratórios que evidenciam um padrão de limitação dos débitos aéreos.

É frequente estes doentes serem tratados pela primeira vez após a ocorrência de um aumento da dificuldade respiratória, recorrendo subsequentemente a cuidados médicos devido a recidiva ou à presença de dispneia, sintoma que já se encontra associado a uma importante deterioração da função respiratória. A característica evolução indolor da doença leva a que um número considerável dos doentes se apresente numa consulta médica já com dispneia de esforço que habitualmente já evidencia uma incapacidade funcional patente.

A presença de uma inflamação crónica está na base de uma redução lenta e progressiva do débito aéreo que não é totalmente reversível na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. A limitação deste débito aéreo associa-se a uma resposta inflamatória anormal do pulmão a partículas e gases nocivos.

Numa primeira fase a maior parte destes doentes refere falta de ar e um cansaço anormal no exercício de determinadas tarefas. Ou seja, passam a cansar-se quando sobem escadas e começam a andar de elevador, quando fazem desporto, deixam de o fazer, mas culpam sempre o tabaco. O tabaco é efectivamente o grande responsável mas a sintomatologia já pertence à doença!

Os doentes desenvolvem uma tosse crónica produtiva (com expectoração) e graus variáveis de dificuldade respiratória (ou dispneia) que se vai agravando com a evolução da doença. Este facto induz uma progressiva perda de capacidades para desenvolver as actividades de vida diária.

Um relatório de 2003 do Instituto Nacional de Estatística identifica a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica como a 5ª causa de morte em Portugal. Esta doença representa 2.5% do número total de mortes, 3,2% nos homens e 1,7% nas mulheres e é a segunda causa de internamento hospitalar por doença respiratória. O número de hospitalizações aumentou 110% de 1994 a 2007 (de 4.333 para 9.143 hospitalizações).

Acresce que, periodicamente, se verifica o agravamento da dificuldade respiratória (ou exacerbação). Estas ocorrências são responsáveis pela maior parte dos custos do tratamento devido, em particular, ao recurso a consultas não programadas e ao recurso a serviços de urgência que implicam, frequentemente, tratamentos intensivos e internamento hospitalar prolongado.

O Diagnóstico Precoce Trava a Progressão da Doença
O diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica envolve um julgamento clínico baseado na combinação da história pessoal e familiar, exame físico e a confirmação da presença de obstrução das vias aéreas. A presença de obstrução das vias aéreas é identificada por provas de função respiratória, nomeadamente pela Espirometria.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é uma doença heterogénea e nenhuma medida por si só pode proporcionar uma adequada avaliação da sua gravidade num determinado doente. Por exemplo, uma obstrução brônquica ligeira pode estar associada a uma incapacidade significativa. Uma verdadeira avaliação da gravidade deverá incluir a determinação do grau de obstrução brônquica, da incapacidade, da história de exacerbações, e da presença de complicações (insuficiência respiratória, insuficiência cardíaca direita, perda de peso e hipoxémia arterial).

A doença pode ser ligeira, moderada, grave e muito grave. Mas muitos dos diagnósticos são feitos já nas fases mais tardias, quando já há muitos sintomas, nomeadamente quando o doente se dirige ao médico por causa de uma constipação ou de uma infecção respiratória. Se o diagnóstico e respectiva intervenção terapêutica  for feita de forma eficaz no estadio ligeiro, é muito melhor para o doente que pode inclusivé não necessitar de medicação. Bastando-lhe deixar de estar exposto aos agentes causadores da doença e aqui deixar de fumar é determinante. O doente estabiliza e a doença não evolui.

A Evolução da Doença e o seu Tratamento
O curso crónico e progressivo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é frequentemente agravado por exacerbações. As exacerbações são períodos em que se verificam agravamento dos sintomas, particularmente tosse, dispneia e produção de expectoração e podem ser definidas como um aumento dos sintomas respiratórios acima da situação de base que requer usualmente alterações na terapêutica.

Estas exacerbações dos sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica constituem uma medida importante da gravidade da doença e têm um impacto negativo na progressão da doença, duração do tempo de recuperação, frequência de recaídas e na morbilidade e mortalidade.

As exacerbações têm um importante efeito no doente e na sociedade incluindo agravamento do estado de saúde e da qualidade de vida e o aumento da hospitalização com os respectivos custos para o doente e mortalidade. Dadas estas consequências, a prevenção das exacerbações é recomendada como um dos objectivos chave do tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica.

O tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica inclui intervenções farmacológicas e não farmacológicas. A cessação tabágica é a medida mais importante no tratamento desta doença, reduzindo a sua velocidade de progressão. Uma vez que as lesões pulmonares que ocorrem são só parcialmente reversíveis, o seu objectivo não é curar a doença, mas melhorar a qualidade de vida e a capacidade funcional. O tratamento farmacológico da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é geralmente caracterizado por um aumento por degraus de forma a acompanhar a evolução da doença apresentada pelos sintomas do doente e a sua apresentação clínica.

Todas as orientações clínicas recomendam os broncodilatadores como os medicamentos fundamentais no tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Actuam reduzindo a obstrução brônquica pelo relaxamento do músculo liso brônquico. São administrados de acordo com a necessidade de alívio imediato dos sintomas ou de forma mantida para prevenir ou reduzir os sintomas. A maioria dos broncodilatadores são administrados preferencialmente por via inalatória.

As metilxantinas são broncodilatadores que se utilizam em formulações orais de acção prolongada no tratamento de manutenção da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, não se encontrando disponíveis para administração por via inalatória. Dada a frequência de efeitos secundários e de interacções medicamentosas, o seu papel no tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é questionável, não sendo medicamentos de primeira linha no tratamento desta patologia. Uma vez que cada classe de broncodilatadores actua por um mecanismo diferente, a combinação de medicamentos de diferentes classes pode aumentar o efeito broncodilatador e diminuir a probabilidade de ocorrência de efeitos adversos.

Os corticosteróides são potentes drogas anti-inflamatórias utilizadas como medicamentos de primeira linha na asma brônquica. Porém, na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, estes medicamentos não são recomendados por rotina pois, de acordo com diversos estudos, só 5 a 27% dos doentes com esta doença respondem ao tratamento. No entanto, a utilização regular de corticosteróides inalados em combinação com broncodilatadores de longa duração pode reduzir a frequência das exacerbações e melhorar o estado de saúde em doentes sintomáticos com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica grave e muito grave.

Um dos grandes problemas do tratamento dos doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, como de muitas outras doenças crónicas, é a adesão à terapêutica. A adesão reveste-se de acrescida importância nesta doença, uma vez que a abordagem farmacológica constitui o elemento fundamental no controlo dos sintomas. A maioria dos estudos aponta para deficiente adesão ao tratamento na ordem dos 25 a 50% dos doentes.

Informe-se! Se estiver alerta para esta doença pode travar a sua evolução.

Miguel Ezaguy Manaças
Docente da Faculdade de Medicina de Lisboa
Pneumologista na Lifeclinic® - Health care

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